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Jornal de Notícias, 4 de Maio de 2000
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Público, 5 de Maio de 2000
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Correio da Manhã, 4 de Maio de 2000
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Diário de Notícias, 7 de Maio de 2000
O tango instalou-se junto ao
Castelo de São Jorge
"Militango", de Adolfo Gutkin (em cena até Junho), é o primeiro espectáculo apresentado
no Café Teatro Santiago Alquimista
Sobre um fundo rosa os dois bailarinos dançam, enredados na música, presos um no outro. De que perigo
se escaparão nesta fuga? Os sapatos dela brilham, e a música parece chorar. Saberão eles que
os observamos?
"Este trabalho não é uma reflexão sobre o tango. É um olhar sobre os nossos dias
através do tango. O tango é como um filtro de cor vermelha, e é através desse cristal
que eu vejo a realidade". É assim que Adolfo Gutkin, o encenador, define Militango, o primeiro espectáculo
do grupo Teatrova, estreado sexta-feira, na abertura de um novo espaço cultural lisboeta, o Café
Teatro Santiago Alquimista.
Mas é inevitável perguntar: porquê a escolha deste filtro para olhar o mundo? Gutkin explica:
"foi a história que me obrigou a escolher este cristal, isto significa que somos testemunhas da crueldade
e hipocrisia desta época em mudança, na qual sucumbem os ideais construídos pelos homens ao
longo dos séculos com a frágil matéria dos sonhos". E o que se salva desta destruição?
Para este encenador argentino, há muito radicado em Portugal, só duas coisas resistem a esta violência:
a profunda necessidade de cultura que o homem tem e o amor, "uma pulsão tão forte em nós
como a pulsão para destruir". |

É destas considerações que nasce um espectáculo como Militango, no qual
dois músicos, um par de bailarinos e uma actriz, mostram através de movimentos, dos sons do tango
e de palavras cantadas, a inquietação e revolta próprias dos tempos de crise. Um poema de
Jorge Luís Borges, e textos de Horacio Ferrer, e do próprio Gutkin, entrelaçam-se com os tangos
de Piazzola, as composições de Carlos Gutkin e de Ariel Ramirez, para criar este "tango apocalíptico
para um novo milénio". De repente, no final de um poema cantado, uma sucessão de vingança
e morte ao ritmo de uma guitarra, diz-se já num grito: "Esta é a história de Caim que
ainda hoje mata Abel!".
Todas as quintas-feiras, pelas 22.30, até 8 de Junho, junto às muralhas do Castelo de São
Jorge, o tango entra de noite no Café Teatro Santiago Alquimista. |
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Gazeta das Caldas, 6 de Outubro de 2000
“Militango” nos Pimpões
O Tango é irmão do Fado
No Domingo, Dia Mundial da Música, o grupo Teatrova apresentou nos Pimpões
o espectáculo “Militango”. Bailarinos, actores e músicos argentinos e portugueses unem-se pela mesma
paixão - o tango. Juntos, levaram o público numa viagem pela própria evolução
deste particular género não só através da música, como da dança e da
palavra.
O dia destinado a comemorar a Música só conseguiu convencer cerca de meia centena de pessoas que
de pé aplaudiram este espectáculo de homenagem a génios da música e da poesia como
Astor Piazzolla ou Jorge Luís Borges.
Tango para o próximo milénio
Ao som de uma guitarra clássica e da flauta, desfilaram pelo palco dos Pimpões, as várias
fases históricas do tango. Aos músicos Carlos Gutkin e José Rui Fernandes juntou-se a actriz
Paula Freitas que declamou e cantou poesias de autores como P. Maroni, Horacio Ferrer e de Jorge Luis Borges.
Ao longo da hora que durou “Militango”, foram dançados vários tangos por um par de bailarinos argentinos
que mudavam o seu guarda-roupa, consoante a fase de evolução deste género musical. A história
do Tango iniciou-se com “Bordel 1900”, ano do seu nascimento nos bares argentinos. O tango é descendente
da Milonga que é um género de dança argentina, de origem africana, que remonta ao século
XIX e cujo ritmo está na base do tango, explicou Carlos Gutkin, músico e compositor dos Teatrova.
Depois seguiu-se “Café 1930”, altura em que o tango se tornou mais lírico e era ouvido pelos cafés
de Buenos Aires. “A poesia e a própria canção tornaram-se mais importante e faz-se menos bailado.
Muitos músicos de orquestras passam para as formações de tango, dando-lhe uma aspiração
nobre”, disse o músico.
“Night Club 1960” revela a fase onde surge o inovador tango, influenciado por ritmos de jazz, de bossa nova e também
pela música erudita. “Concert d’Aujourd hui,” chama a atenção para Astor Piazzolla, um dos
grandes compositores do século XX que parte do tango para outras formas mais elaboradas e abstractas da
música contemporânea.
No final do espectáculo há uma interrogação sobre o futuro do tango.
O grupo apresenta “Um tango apocalíptico para um novo milénio”, ao som de temas de Astor Piazzolla,
com a declamação de um poema de Adolfo Gutkin, o também encenador desta peça. |
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A História do Tango foi dançada no palco dos Pimpões
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A mesma origem para o tango e fado
“Não conheço dois géneros mais irmãos que o tango e o fado” , disse Carlos Gutkin.
O tango nasce na cidade portuária de Buenos Aires, nos bordéis e bares, “locais onde há uma
grande fauna citadina de marinheiros, proxenetas e prostitutas, tal como os locais de origem do fado”, disse o
músico. Os dois géneros nasceram em meios difíceis, “onde os homens se refugiam para esconder
a solidão e os dois géneros abordam essa realidade”. Tal como o tango, o fado também se romantizou
e “atraíu poetas eruditos e populares. Mas há sempre histórias relacionadas com essas personagens,
com esse meio mais difícil”, disse o compositor.
Em relação ao fado, Carlos Gutkin considera que há muitos preconceitos. “Era preciso um pouco
de coragem e de liberdade. Se alguém tenta algo de mais arrojado no fado, é imediatamente criticado”,
disse o músico chamando a atenção que inicialmente também o compositor de tangos, Piazzolla,
foi muito criticado pela inovação que introduziu no tango. Depois de morto, Astor Piazolla é
apreciado tanto por eruditos como pelos mais tradicionais “tangueros”.
“Militango” intitula o espectáculo com base no seu último poema e que se relacina com a interrogação
do próprio género. “A mudança do milénio e do próprio tempo em que vivemos deixa
uma mensagem de denúncia, de raiva e de ironia. É preciso ouvir o poema e depois pensar no que ele
transmite”, disse o músico.
Este espectáculo, apoiado pelo IPAE e pela autarquia, já foi apresentado em Viana do Castelo, Guarda,
Idanha-a-Nova e em Lagos. Em Novembro, “Militango” será apresentado no espaço Santiago Alquimista,
em Lisboa. Os Teatrova têm na manga a preparação de um novo projecto que Carlos Gutkin apenas
disse que se basea nas obras de Gil Vicente.
Natacha Narciso
nnarciso@clorofila.com |
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